Eu era feliz e não sabia


Minha infância

Que saudade imensa da casa,do campo,
das flores que cobria a campina,
aos domingos eu sentia toda alegria
ao brincar nas ruas com cheiro de terra,
terra bem vermelha que os pés cobriam
e as roupas sujas que mamãe brigava.

Todos os amigos e as brincadeiras,
cada dia que ali passava.
Ao ir à escola andava bastante,
corria dos cachorros e atravessava o rio,
que não era limpo, mas guardei comigo
cada ponte que caiu.
Lembro da minha amiga
que com 11 anos pro céu partiu.

A quadra da escola na educação física,
cada campeonato, cada ensaio para os desfiles,
eu me lembro bem.
Minha mãe no portão chamando pro almoço,
as laranjas colhidas no pé, os banhos no tanque em dias quentes,
as pipas, carrinho de rolemã, pião, bonecas e bicicleta,
não eram meus brinquedos, mais eu brincava mesmo assim.

A vida simples em casa de madeira,
quintal grande, muita brincadeira,
Em dia de ano novo eu via os fogos,
Subia na caixa d’água à meia noite,
Quando não, íamos para o sítio, em Bauru.

Minha vovó, que Deus a tenha,
Nos recebia com muita alegria.
Eu ia na roça, buscava frutas, corria das vacas,
Ouvia histórias à luz do lampião,
Tomava leite fresco e comia pão.

Quando pra casa voltava e à escola retornava,
Tinha assunto pra redação “ minhas férias”,
Hoje nem a rua Verônica existe mais,
No lugar ficou um vazio, ainda bem que
Guardei comigo tudo de bom, afinal,
eu era feliz e não sabia.

Rita Gonçalves

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